Quem é o Meu Próximo?

Já percebeu que muitas pessoas ou até mesmo você já se pegou fazendo essa pergunta: Quem é o meu próximo?

No evangelho de Jesus Cristo escrito por Lucas, no capítulo 10, versículo 25, um perito da lei bíblica levantou-se em público e fez uma pergunta a Jesus. Lucas afirma que esse doutor da lei queria testar Jesus, pegá-lo numa armadilha. Talvez soubesse que muitas pessoas não religiosas estavam seguindo Jesus (Lc 15.1,2), pessoas que não diligentes em obedecer a cada um dos aspectos da lei, como era costume dos fariseus e outros líderes religiosos. Quem sabe o homem tivesse pensado: “Esse aí é um falso mestre que não leva nada a sério a obediência à lei de Deus!”, e então perguntou a Jesus:

Que devo fazer para ter a vida eterna?

Talvez esperasse uma resposta como: “Ah, basta crer em mim”, ou outra coisa que revelasse o pouco caso de Jesus em obedecer totalmente à Palavra de Deus.

Jesus, todavia, respondeu com uma pergunta:

O que está escrito na lei?

A única resposta a tal questão seria passar uma semana recitando todos os regulamentos que Deus deu a Moisés ou então fazer um resumo deles. O homem pensou que Jesus iria preferir a segunda opção. Era de conhecimento geral que o código moral bíblico completo podia ser resumido em dois mandamentos básicos – amar a Deus de todo o teu coração, com toda a sua alma, com todas as forças e com todo o entendimento e amar o próximo como a si mesmo. Essa foi a resposta do doutor da lei. “Corretíssimo”, disse-lhe Jesus. “Faça isso e você viverá”. Jesus explicou que era só obedecer esses dois mandamentos que o homem teria a vida eterna.

Foi uma jogada de mestre. Um dos problemas do moralismo (conceito de que Deus nos salvará com base em nossos altos padrões morais e boas obras) é o fato de ser profundamente hipócrita. Ele não satisfaz nem mesmo seus próprios padrões. Os fariseus dedicavam-se a cumprir os detalhes legais da lei de Deus. “Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho”, disse Jesus certa vez aos líderes religiosos (Mt 23.23). Ou seja, em obediência a lei de Deus, que mandava entregar 10% de toda a renda, eles tinham o cuidado de entregar até mesmo a porcentagem das hortaliças que cultivavam (isso é ótimo). Com esse grau de diligência, os fariseus viviam tranquilos, achando que eram aceitáveis aos olhos de Deus. Mas Jesus derrotou os fariseus naquilo em que eram bons. Com efeito, o recado de Jesus foi algo assim:

Por acaso vocês já examinaram o tipo de vida que todas essas leis específicas devem produzir de verdade? Já procuraram saber que tipo de vida Deus quer de vocês? Amam a Deus com cada fibra de seu ser e a cada minuto do dia? Satisfazem as necessidades de seus semelhantes com a mesma alegria, vigor e cuidado que satisfazem suas próprias necessidades?  Esse é o tipo de vida que devem ao seu Deus e aos semelhantes. Deus criou vocês e sustenta suas vidas a cada segundo. Ele lhes proporciona tudo e, portanto, o justo é que vocês lhe deem tudo. Se podem oferecer a Deus uma vida assim, certamente merecem a vida eterna.

É claro que esses padrões são inatingíveis, mas era exatamente essa a lição. Jesus estava apresentando ao homem a justiça perfeita que a lei exigia, pois queria que ele entendesse sua total incapacidade de cumpri-la. Em outras palavras, a intenção de Jesus era convencê-lo de seu pecado e da impossibilidade de salvar a si mesmo, usando contra o homem a mesma lei que ele conhecia tão bem. Com efeito, Jesus estava dizendo:

Meu amigo, eu levo a lei muito a sério, até mais do que você. Se cumprir as exigências da lei, você viverá.

Ele queria que o homem se humilhasse. Por que? Somente quando enxergamos de verdade o amor exigido na lei de Deus é que estaremos dispostos e capacitados a receber o amor que Deus nos oferece em seu evangelho da salvação gratuita por meio de Cristo. Jesus estava incentivando o homem a buscar a graça de Deus.




O doutor da lei ficou sem chão com a jogada do Mestre. O texto afirma que o homem quis “justificar-se” (v. 29), o que, naturalmente, Jesus já havia notado a respeito de seu coração. Mas a primeira tentativa de Jesus não foi suficiente para derrubar o projeto dele de autojustificação. Embora sentindo o peso do argumento de Jesus, o doutor da lei descobriu outra maneira de se defender e questionou:

E quem é o meu próximo?

A implicação era óbvia. “Tudo bem, Jesus”, ele respondeu.

Entendo que devo amar o meu próximo, mas o que isso significa de verdade, e quem é esse próximo?

Em outras palavras, o doutor da lei queria condensar, ou seja, reduzir esse mandamento para torná-lo mais acessível e manter intacta sua abordagem sobre retidão por meio das obras.

 

Veja também: Quem é o Meu Próximo [PARTE 2]

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